Você que passa por mim e não me olha, também nunca me olhou com serenidade quando eu lhe contava sobre onde doía. Você que passa por mim e não me vê, também nunca viu veracidade nas coisas que eu dizia. Você que passa por mim e não me entende, também nunca entendeu o porquê das minhas visitas. Você que passa por mim e não me perdoa, também nunca perdoou as minhas ironias. Você que passa por mim e não me reconhece, também nunca reconheceu o que realmente valia. Você que passa por mim e não me aconselha, também nunca me aconselhou quando eu pedia. Você que passa por mim e não me agradece, também nunca agradeceu qualquer melhoria. Você que passa por mim e não me abriga, também nunca abrigou em si minhas alegrias. Você que passa por mim e não me encontra, também nunca encontrou nas respostas uma garantia. Você que passa por mim e não me impressiona, também nunca se mostrou impressionado com a minha repentina valentia. Você que passa por mim e não me assume, também nunca assumiu a nossa perfeita harmonia.
E eu vivendo nessa doce ilusão de que um dia você lembraria de tudo que vivemos um dia, e que continuaria… E me amaria até o final dos dias.
Você que passa por mim e não se importa, não se anima, não se arrisca, não se desculpa, não se acostuma, não se contenta, não se incomoda e só faz de conta, deveria se lembrar que, assim como você, as coisas só passam, só se transformam. Deveria se lembrar que nada dura para sempre, nem mesmo aquele nosso amor que, de tão fictício, só era encontrado em livraria.